Aceitação é mais legal!

Aceitar a si mesmo parece fácil, deveria ser fácil, mas não é. Ou melhor, pode não ser para algumas pessoas e em algum momento isso pode ser doloroso demais, pode acarretar numa busca desenfreada por uma imagem criada pela nossa imaginação. Quem nunca se pegou pensando assim: ah eu queria ter a perna de fulana, os olhos de ciclana, o nariz da beltrana, o cabelo da tiana, o bumbum igual ao da sebastiana…

Querer ser como o outro na maioria das vezes é muito frustrante por um motivo óbvio: nós não somos o outro, não temos a mesma forma do outro, não temos a mesma vida, nem a mesma essência, TUDO é diferente! Nos aceitar como somos e cuidar do que somos é mais leve, mais legal e recompensador. Quer um exemplo?

Eu sempre achei que só seria bonita se fosse completamente diferente e em cada fase da minha vida eu escolhia algo para mudar e me sentir bonita (ainda bem que nossos sonhos não viram realidade, senão eu teria sido uma criatura mutante – risos). Eu achava que teria que ter o nariz mais fino, a bunda mais arrebitada, o cabelo liso escorrido, a boca carnuda, a cinturinha de pilão e um quadril violão. Teve uma época que eu achava que teria que ter nascido com os olhos azuis ou verdes, que o peito deveria ser maior, que eu deveria ser mais alta, que meu sorriso tinha que ser diferente e posso continuar escrevendo por mais alguns minutos tudo que eu tinha certeza que gostaria de mudar em mim.

E então eu comecei a praticar musculação para engrossar as pernas finas que me matavam de vergonha! E finalmente lançaram a progressiva para alisar o cabelo e eu fiz! Juntei um dinheirinho para colocar silicone nos seios! E certamente em algum ponto da vida eu alcancei a tal forma que idealizei um dia: não tinha mais a perna fina, o cabelo estava liso e tinha peitos! Mas continuava achando que deveria ser diferente, que estava longe de ser bonita, continuava achando que deveria melhorar aqui e ali, mudar aqui e ali e aí sim finalmente eu seria bonita. Nossa, quanta ilusão! Ainda bem que eu sempre fui “sem grana” e não pude fazer nem um décimo do que eu gostaria e o tempo foi passando e eu fui percebendo que a vida é muito mais do que um corpo, que o verdadeiro valor de uma pessoa não enruga quando ela envelhece, que as maiores alegrias da vida acontecem em momentos que nos despertam amor, que eu nunca seria igual a ninguém e que estava perdendo muito tempo RECUSANDO a minha imagem, na verdade eu deveria ser GRATA por ter as duas pernas independente da forma delas, que deveria ser grata por ter saúde, família, amigos e uma nova oportunidade a cada novo dia.

Não fiz terapia, deveria ter feito e ainda espero um dia fazer, mas não tive grana para isso então resolvi por conta própria bater um longo e insistente papo comigo mesma diariamente ou sempre que esses pensamentos vinham a minha cabeça. Aos poucos tudo foi mudando e eu comecei a enxergar o mesmo corpo de forma diferente e a cada ano que passa eu agradeço mais e mais por ser exatamente como eu sou!

4 Comments

  1. Anna Carol Reply

    Maíra, encontrei seu IG por acaso e me apaixonei de imediato por seus posts. Adorei a reflexão sobre a autoaceitação, estou nesse processo atualmente. Desisti da perfeição, percebi que cada mulher é linda a sua maneira e essa beleza só aumenta quando ela se aceita e passa a querer ser quem realmente é e não como uma outra. Você não é perfeita, eu não sou, ninguém é. Mas você é uma baita gata desse jeito. Na verdade, nossos pontos fortes e fracos na beleza interior e exterior nada mais são do que traços que definem quem somos, de modo que, extirpá-los seria descaracterizar a nós mesmas. Meu nariz arrebitado faz com que eu seja Carol e não Joana, eu não seria eu sem ele. Enfim, você é maravilhosa, todas somos. Espero um dia conhecê-la, tenho uma admiração especial por você por dentro, por fora, do jeitinho que você é. Beijo!

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