Exercício físico e Hipóxia

O termo hipóxia é definido como baixo fornecimento de oxigênio (O2) nos tecidos orgânicos relacionado a uma obstrução física do fluxo sanguíneo em qualquer nível da circulação corpórea. São caracterizados 4 tipos de estado de hipóxia:

a) hipóxia hipêmica – relacionada ao estado anêmico do indíviduo;

b) hipóxia histotóxica – relacionada a intoxicação por monóxido de carbono;

c) hipóxia estagnante – relacionada a baixa concentração de vasos sanguíneos, consequentemente, menor oferta de oxigênio;

d) hipóxia hipóxica – relacionada a altitude. Sendo este último tipo de hipóxia relacionado a melhora do desempenho físico.

A fração inspirada de O2 (FiO2) é um parâmetro de ventilação mecânica frequentemente utilizada para avaliar a oferta de oxigênio. Valores normais são de aproximadamente FiO2 >21%, por outro lado valores menores são considerados estado de hipóxia, ou seja, baixa oferta de O2. O método de treinamento físico utilizando baixos níveis de O2 é chamado de HYPOXIA TRAINING.

Atualmente, muitas pesquisas se concentram em investigar as adaptações promovidas por este método de treinamento. Tem sido observado que a pratica deste método, por 3 vezes na semana, contribui para liberação de uma proteína chamada HIFα pelos músculos, cerebro, rins, fígado e coração. A liberação desta proteína aumenta a atividade de outra proteína chamada VEGF que, consequentemente, estimula a formação de novos vasos sanguíneos, aumento o fluxo sanguíneo e melhora a distribuição do oxigênio na interface célula-capilar para os músculos ativos. Além disso, este poderoso método de treinamento físico melhora a respiração celular (aumentando o número e a densidade das mitocôndrias), aumenta o consumo de O2 pelos músculos recrutados e melhora a capacidade pulmonar. Têm sido observado que a pratica deste método contribui significativamente para o aumento da frequência de disparo do músculo intercostal e diafragma contribuindo para melhora da capacidade inspiratória e consumo de oxigênio do seu praticante . Assim, é observada uma melhora significativa na força de resistência de atletas praticantes deste método.

Em relação às respostas hipertróficas, estudos atuais revelam que a pratica de treinamento de força (intensidades entre 60% e 70% da carga máxima), com hipóxia intermitente, contribui para o aumento da expressão da proteína p70s6k que favorece o aumento da formação de novas proteínas musculares. Outros estudos comentam sobre o aumento da proliferação das células satélites (células com a capacidade de diferenciar e se fundir ao tecido muscular para aumentar o tamanho e formar novas fibras musculares) com o treinamento com baixo fornecimento de oxigênio. Em relação às respostas hormonais, um estudo com alpinistas, revelou que a exposição a situação de hipóxia contribuiu significativamente para aumentar a síntese do hormônio do crescimento.  Contudo é importante comentar que este método por submeter seu praticante a um estado de hipóxia intermitente (momentaneo) não contribui com o significativo aumento do número de globulos vermelhos. Este evento hematológico parece ser mais eficiente em situações de hipóxia crônica (manter o indíviduo em treinamento em grandes altitudes).

3 Comments

  1. Maíra, ficou top! Muita informação útil e dicas maras. Parabéns.

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