Intenso! Assim vivi o meu parto

Intenso! Não encontro outra palavra para resumir o que vivi no meu parto. Ainda posso acrescentar que foi muito, muito intenso, bem mais do que eu me preparei para viver, nenhuma outra experiência da minha vida me levou tão ao limite, senti que numa certa altura do parto eu estava além do meu limite, desejando desistir, sem forças para continuar, esgotada, exausta depois de praticamente 2 dias sem dormir (dormi um pouco menos de 2 horas na minha última noite rsrs). Não sei explicar muito bem o que senti, provavelmente ficarei dando voltas para tentar fazer isso.

O parto foi o momento mais intenso que já vivi na vida em todos os sentidos, a maior entrega, uma dor incomparável, emoção inexplicável e no meu caso uma dificuldade muito grande. Muito grande mesmo! Cheguei aos 9 cm de dilatação e o útero começou a cansar após quase 20 horas contraindo e como todo músculo, cansa né?! (dessas 20, umas 16 horas em trabalho de parto efetivamente) e o Davi ainda não tinha descido. O parto foi quase todo natural com exceção dos últimos 30 minutos.

Mas vamos do início para você entender melhor como foi: acordei 2h sentindo contrações e tentei ignorar para dormir (impossível) eu acreditava que era um alarme falso (ledo engano) a partir das 3h eu comecei a marcar as contrações (não passava vento sabe rsrs) lá “pras” 5 e pouca da manhã o Bruno acordou com minha inquietude e foi quando resolvi ligar pro Rodrigo nosso enfermeiro obstétrico (quando caiu a ficha que não tinha mais volta).

Eh gente, Davi estava a caminho e isso deu uma mistura de frio na barriga, coceira no “suvaco” e borboletas no estômago tudo junto e misturado. O Rodrigo chegou lá em casa umas 10 e pouca da manhã e um pouquinho antes disso eu liguei para o Dr. Bruno (meu obstetra). O dia foi como eu imaginei: calmo, silencioso e cada vez exigindo mais e mais de mim, conforme as contrações foram ficando mais fortes eu passei a ficar mais tempo com os olhos fechados, tentava caminhar, ficar de cócoras, sentava na bola e nada me dava alívio… paciência. Fomos pro hospital por volta de 18-19h com 6-7 centímetros de dilatação e o Dr Bruno já havia preparado a sala para nos receber.

Lá pelas tantas eu disse na sala de parto que sentia que não estávamos mais evoluindo e que o Davi não tinha descido, o dr Bruno confirmou que realmente era essa a situação e me contou que conversara com o Rodrigo sobre administrar uma dose mínima de ocitocina. Concordei sabendo que eles só interfeririam caso fosse realmente necessário e assim foi: 20 ml de soro com ocitocina sintética nos últimos 30 minutos. Pouquíssimo, porém suficiente para elevar a dor que já era IMENSA para um nível insuportável. Caralho, puta que pariu eu desejei morrer (perdoem-me pelos palavrões, mas não é possível lembrar daquele momento com outras palavras).

Durante a fase ativa do trabalho de parto as reações das mulheres são as mais variadas e imprevisíveis possíveis, eu me mantive calma e entre uma contração e outra sentia que sumia de mim e retornava quando vinha uma nova contração. Na fase de expulsão eu precisei fazer muita força, muita força, MUITA força mesmo (não foi nada como naqueles vídeos que via na internet da contração vindo e o bebê saindo quase que naturalmente) e desde o momento que ele coroou até sair totalmente senti o tal círculo de fogo que é exatamente uma sensação de pegar fogo, queimar, arder. E aí Davi nasceu…

Puta que pariu não existe sensação melhor no mundo que parir a própria cria, sentir o Davi nascer me fez forte, viver o nascimento dele me fez viva, saber que sou capaz é foda demais, viveria tudo novamente e mil vezes se fosse preciso por ele, por mim e por esse cara que esta me abraçando na imagem e também foi muito forte e esteve comigo o tempo todo. Foi do caralho, surreal, perfeito e a dor que realmente é gigantesca te leva ao melhor momento da vida, simplesmente ao MELHOR momento da vida. Desculpem a chuva de palavrões, mas parir é foda demais e todas nós somos capazes. Me sinto imbatível desde então. Ele nasceu de mim.

Foi SURREAL. Obrigada Davi, meu pequeno imenso amor.

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