Meu trabalho de parto começou assim

Meu trabalho de parto começou assim: logo depois da longa conversa com Davi sobre o nascimento dele! Foi sem dúvidas a mais impressionante das muitas que tivemos, menina parecia que eu conversava com um amigo de longa data, ria, dava um tempo pra ele responder e voltava a falar… nos divertimos sabe?! Davi nasceu num sábado, na última hora daquele dia. Longo dia, curto dia… nem sei te dizer a que velocidade ele passou, mas posso te afirmar que esta eternizado em mim.

Lembro-me ainda do silêncio daquele sábado, das músicas que escutamos na casa quase vazia, éramos apenas eu, Bruno (meu marido), Juquinha (nosso gato) e Rodrigo (nosso enfermeiro obstétrico), nada de fotógrafos profissionais (e nada contra também, apenas não me imagino parindo enquanto sou fotografada), nada de amigos e parentes apenas as pessoas que eu considerava essenciais para o momento que acreditei que seria o mais íntimo e especial da minha vida e portanto sentia uma vontade imensa de preservá-lo, queria ter poucas pessoas por perto. Somente minha mãe e minhas irmãs sabiam que eu tinha entrado em trabalho de parto, mais ninguém.

Embora tenham me oferecido um serviço de fotografia para registrar o nascimento do meu filho eu não quis registrar dessa forma, acho todas as fotos de parto absolutamente lindas, mas tenho certeza de que não ficaria a vontade e minha prioridade era reduzir ou eliminar tudo que pudesse desviar minha atenção (entendo o parto como um evento fisiológico do organismo feminino possível de ser bloqueado caso o ambiente não seja favorável). E mesmo sem o trabalho incrível de um profissional eu tenho cada segundo impecavelmente registrado dentro de mim e apenas uma meia dúzia de fotos com péssima qualidade no celular (rsrsrs) que acho lindas mesmo assim.

Bem, vamos ao que interessa né:

Passei o dia inteiro em casa arrumando as coisas do quartinho e passando roupinhas do Davi e podia jurar que ainda teria pelo menos mais duas semanas para terminar de arrumar tudo. Numa pausa para o café lá “pras” tantas da noite eu conversei longamente com a barriga e ia contando pra ele tudo que poderíamos fazer juntos aqui fora, dos lugares que ele ia conhecer, onde eu achava que ele ia gostar de ir, das brincadeiras que estava esperando ele crescer para brincar e conversei sobre o parto quase olho no olho sabe (ahahha).

Então foi nesse embalo que eu verbalizei mais uma vez que era para ele nascer no momento que estivesse pronto, mas pela primeira vez eu falei sem medo e me senti realmente pronta (sempre falava isso desejando lá no fundinho que o momento dele não fosse o agora, contraditório né?!) e que não tinha problema nenhum se ele quisesse nascer antes “deu” terminar de organizar o quarto porque eu desejava muito mais a presença dele que o quarto organizado.

“Ahhhh meu filho, pode vir quanto estiver pronto, mamãe está te esperando, pode nascer meu amor no momento que tiver vontade de sair daí. Mamãe e papai estão aqui para te receber e Deus estará conosco a hora que for, quando for, como for, mesmo que seja agora!” Era estranho, mas inexplicavelmente eu me sentia pronta. Ponto.

Por incrível que pareça algumas horas depois dessa conversa meu marido chegou em casa e antes de falar comigo ajoelhou-se e abraçou longamente e silenciosamente minha barriga… e permanecemos ali naquele silencio que fazia o tempo passar em câmera lenta sabe? Tic-tac, tic-tac… apenas depois desse abraço eu contei pra ele da minha diferente e longa conversa com Davi. Nem sonhávamos que em poucas horas eu sentiria os primeiros sinais de que nosso filho estava pronto para nascer, na verdade naquela noite estávamos mesmo era pensando nos quitutes do final de semana (coitados ahahahaha) e ansiosos pelos dias que teríamos sem nenhum compromisso, dentro de casa juntinhos para descansar.

Minha filha, você não faz ideia do quanto  pre-ci-sá-va-mos descansar, maaaaas as primeiras contrações vieram 2:00 da madrugada, quase 2 horas depois de deitar para dormir e eu me agarrava na esperança de ser um alarme falso pois TUDO que eu precisáva era dormir até meio dia do dia seguinte e rir do susto da madrugada. Ledo engano.

(Relato do parto no próximo post)

 

 

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